A Cozinha Performática - é uma plataforma artística que desenvolve processos criativos e obras produzidas a partir de encontros entre profissionais de diversas sensibilidades artísticas. Criada e dirigida pelo ator, bailarino e coreógrafo Marcos Moraes, desde 2013 realiza espetáculos, performances, debates, livro, vídeos, eventos de formatos híbridos e outras ações, somadas ao que quer que seus participantes decidam criar no âmbito das artes performativas, artes visuais, literatura e outros - sempre desenvolvidas de modo coletivo e colaborativo. Seu objeto de pesquisa são as ‘dramaturgias do encontro’, surgidas de uma mistura de olhares, práticas e ‘temperos’ de profissionais que, juntos, cozinham e criam mundos.

 

Movidos pelo desejo, dispostos ao risco, pesquisamos e deixamos surgir novas ‘dramaturgias do encontro’, com diferentes graus de partilha e dissolução das autorias, com um uso alternado nas funções de direção, performance, etc. , com um foco maior no modo de fazer do que no produto final.

 

Graças à esta escolha por criar um ambiente de convivência em criação, um esforço contínuo para aprender com o trabalho colaborativo –os desafios da alteridade – e dos sabores e saberes de diferentes ingredientes – as pessoas –o projeto vai-se renovando e se reinventando conforme as novas questões lançadas por suas etapas precedentes. Em alguns momentos se expande, em outros se contrai, produz obras com mais visibilidade ou se interioriza, em processos formativos ou investigativos. Nestes 6 anos de existência passaram pela Cozinha mais de 120 profissionais, e a cada nova etapa vão-se chegando novos. (ver ‘ingredientes’)



Financiamento e Apoios

Alternam-se períodos com e sem apoio financeiro, de modo que existe sempre uma necessidade de auto financiamento paralelamente aos possíveis suportes. Estes movimentos, resultantes de uma combinação de questões  pessoais, profissionais e conjunturais são objeto de reflexão constante e também fazem parte dos elementos constitutivos das criações. Em outras palavras, nos interessam as relações entre os modos de produção e os vetores estéticos, tanto no sentido de viabilizar desejos quanto no olhar crítico à mercantilização das subjetividades e sua relação com os meios de financiamento. É frequente a viabilização de trocas e ações através de mecanismos mistos em que se combinam apoios efetivos, venda de espetáculos, atividade docente e curatorial, aportes pessoais dos envolvidos, bem como trocas diversas para fechar as contas daquilo que se deseja produzir.

 

O projeto foi criado com o apoio do Programa Municipal de Fomento à Dança de São Paulo em duas edições ( 2013/14 e 2015) e recebeu o Prêmio Funarte Klauss Vianna de Dança para circulação (Brasil). Em2014 recebeu ainda o reconhecimento do Prêmio Denilto Gomes de Dança, na categoria especial de "plataforma colaborativa".  O diretor recebeu, a título pessoal, a Bolsa Funarte – Residências Artísticas, que possibilitou realização de residência no C.E.M. (Lisboa), participação no Seminário PoliticalandEthicalDimensionsofParticipatoryArt (Antuérpia), desenvolvimento de pesquisa no LADA – Live ArtsDevelopmentAgency (Londres) e participação na delegação brasileira do Programa Momentum (Edimburgh), entre março e novembro de 2017.

 

Em 2019 A Cozinha Performática está desenvolvendo o projeto A Descrição do Mundo, com o apoio da 25a edição do Programa Municipal de Fomento à Dança de São Paulo.  O projeto é dirigido por Moraes e pela poeta e cantora Natalia Barros, colaboradora d’A Cozinha Performática desde seu início. A Descrição do Mundo foca nas questões da alteridade, dos deslocamentos e das narrativas de viajantes que povoam e alimentam o nosso imaginário. Também propõe um olhar renovado sobre o encontro com ‘os outros mundos’, utilizando como fio condutor narrativo o ‘Livro das Maravilhas – A Descrição do Mundo’, do viajante Marco Polo.

Marcos Moraes: mais algumas palavras a quem interessar possa

 

A inspiração original da Cozinha Performática, se é que isso existe,  veio através do trabalho de Gordon Matta-Clark, especialmente o restaurante ‘Food’ que ele abriu junto a outros artistas no Soho, NY, ao início dos anos 70, declarando-o como um ato performático.  Eu tinha certeza que qualquer escolha artística tinha que estar intrinsicamente ligada à vida, e o melhor na minha vida são os outros. Os outros me colocam em movimento, fazendo-me sair dessa ideia de um eu, um autor, um artista ou qualquer coisa. Arte como coisa para fazer junto e partilhar junto.


O desejo como força de insistência, contra todos os reveses que a vida impõe e a sociedade auto vigilante garante, ligou-me à ideia da comida, do calor humano, da reunião à mesa e também da ativação semelhante à performance que o cozinhar produz. Deter-se um pouco ao redor da mesa, abrir espaços-tempos para que algo do que realmente está acontecendo possa ser visto, notado, cheirado, ouvido, sentido, tocado.

 

Todo trabalho artístico é intrinsecamente político. Ou como dizia Francis Allys: “Às vezes algo poético é também político. Às vezes algo político é também poético.”  

The Performing Kitchen – collaborative platform for research and creation on dance and performance is an artistic project created and directed by dancer, choreographer and performer Marcos Moraes in collaboration with several other artists and professionals. Since its beginning he has had the company of dancer, teacher and researcher Ana Teixeira, firstly as co-curator of The Performing Dinners – a series of six eat & chat meetings with a group of artists from several areas of work, around the themes of desire and creative processes – then as coordinator of the book The Performing Kitchen and later as co-director of The Kitchen Talks, a series of creative meetings in different frameworks, to discuss, exchange or simply meet, chat and have dinner.

 

The Performing Kitchen is an environment of  creation and living together, an ongoing effort to learn from collaborative work, digging into the challenges of otherness, and the flavors of different knowledge from different ingredients – people -, adding to whatever its participants decide to create within the frameworks of performing arts, visual arts, literature and so on.  Among other influences, it was inspired by the work of Gordon Matta-Clark, specially in regard to ‘Food’, the restaurant he and other artists opened in Soho in the beginning of the 70`s: a performing act in itself, as he declared then.

 

The project has been supported by two editions of The São Paulo Dance Development Grant (14th - 2013/14 and 17th - 2015) – which permitted the creation of photographic essays, a performance work, a dance show, a party/installation, a video, a video installation, a series of meetings and chats, among other things - and was also granted The Funarte Klauss Vianna Dance Grant, a support for circulation through different cities of Brazil in 2016.

In 2014 The Performing Kitchen was awarded The Denilto Gomes Dance Award in a special category: ’collaborative platform’.

 

Concept

Every action or creation starts from desire: What moves us right now? What are our wishes? Then, it develops through collaboration: what are the possible dramaturgy emerged from those meetings? Unique and special, each situation brings its own development and dramaturgy. It has to do with flavors and the knowledge coming from the participants, adding to their openness to work with other people and their acceptance of the risk implied on every new practice, emerged from their collaborative partnership. We believe every work of art is intrinsically political and our research aims to put some light into the possibilities of dance and performance at present. We are also concerned with new ways of sharing art processes and works, in an attempt to provide all participants (‘audiences’) an experience on the process and alchemy of The Kitchen creations. Our focus is the articulation of such processes, and the artistic results are just a part of it.  The Performing Kitchen is working and boiling continuously, in spite of the market driven mechanisms that ‘rule’ artistic activities in our societies and our system of values, which tend to emphasize products, that is, ‘final’ results. Nevertheless we would like to share our main dishes.