Embora eu acredite que eu sou eu

Embora eu acredite que eu sou eu, ... uma pessoa, com nome, sobrenome, CPF, gostos, memórias, parentes, ex-amantes, desejos, contas a pagar, frases ditas apressadamente, silêncios necessários ou indecifráveis, atividade mental acelerada, misoginia, histórias para contar, dentes um pouco tortos, cabelos caindo, pensamentos autorreferentes, timidez nas abordagens, lutos aceitos ou ainda mal resolvidos, erros acumulados, medos ignorantes, título de eleitor, reações espontâneas etc. (bota et cetera nisso), e embora eu ainda goze plenamente de minhas faculdades mentais, na verdade eu não existo.

Isso, que tem tudo isso, é uma invenção. Preferiria pensar que, pelo menos em parte, é uma invenção minha. Mas é mais razoável supor que seja uma invenção majoritariamente dos outros, do mundo. Talvez prefiramos pensar que somos nossa própria criação como forma de reassegurar-nos, reafirmar-nos, permanecermos lúcidos. Ilusão?

Tudo está misturado. O fogo arde. Os pequenos vazios circulares aparecem no fundo, unem-se aos poucos, sobem e explodem na superfície. Blop. Brindaremos com as taças e o vinho que nos une. Em breve vamos comer. Em breve terá passado. E tudo começará de novo. O desejo se coloca em movimento. Ou: o desejo é movimento.

Aquilo que nos move é do terreno dos mistérios. (by MM)

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